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1ª Conferência Fab Learn Brasil 2016 – Alunos Protagonistas

(RE) pensando sobre Educação - Casa De Makers 11/09/2016

Alunos protagonistas – Inovação nas metodologias

“Se tivéssemos essas máquinas (impressoras 3D e cortadoras à laser), com certeza ajudaria muito. Mas isso não substitui e não é mais importante que nossa professora. Sem o apoio dela, o projeto não seria possível. Sem a máquina, nós improvisamos”

Nessa sexta e Sábado, ocorreu a 1ª Conferência Fab Learn Brasil, parceria da Universidade de Stanford com Poli/USP, e a Casa de Makers foi bem representada pelo Diego e pelo Pedro, nas apresentações-relâmpago, e depois apresentamos nosso trabalho, no formato de pôster – mas falaremos sobre nosso trabalho em outro post. Hoje falaremos sobre a participação, dos jovens estudantes, nessa conferência.

Aprendemos muito, vimos quantos projetos bons estão em andamento e levando uma educação com muita mão na massa para os estudantes desse país. Foi muito bom ver que, estamos no caminho certo, que muitos pesquisadores renomados e grandes instituições, também estão trilhando.

Ficamos muito felizes em ouvir os jovens estudantes no painel da tarde. O que eles falaram foi um  “abre o olho”, para muito educador que não considera a opinião dos estudantes na hora de começar um projeto (ou mesmo para os que nem começam o projeto) – fizemos algumas anotações, do que eles falaram (e tentamos escrever exatamente o que foi dito).

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Alunas do Ensino Médio apresentando seus projeto de energia sustentável – Árvore fotovoltaica

 

Dicas dos alunos aos professores:

 Não tenha medo de tentar. As coisas nunca dão certo na primeira vez, então você tenta de novo (a menina deu esse recado aos professores que não utilizam novas tecnologias, ou não implementam novas metodologias por acharem que não vão dar conta)

– Parta dos interesses dos alunos (muitas vezes os projetos partem dos professores, e isso não nos permite tentar criar nossas próprias coisas)

 Menos lousa, mais experimentação

 Incentivem os alunos, puxem a orelha e cobrem bastante (A menina que disse isso, destacou a importância das cobranças feitas pela professora, e disse que isso foi fundamental para que elas avançassem)

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Aluna de 9º ano testando seu protótipo de aquecimento de água.

[Nossa observação] Quando o aluno está envolvido em um projeto pessoal, seu envolvimento e engajamento é muito grande. Mas isso não garante que ele estará sempre motivado. O papel do professor mediador é manter acesa (pegando fogo) essa curiosidade/vontade em aprender. Faça boas perguntas, oriente, dê repertório. Mas também cobre, seja rigoroso. Os alunos precisam disso – e eles percebem essa importância.

Durante a conversa com os alunos, perguntaram sobre problemas encontrados por eles durante os projetos.

Falta de incentivo da escola

Professores que dizem “NÃO VAI DAR CERTO”

O mais interessante foi que os estudantes não relacionavam incentivo com investimento financeiro – o significado desse incentivo, para os alunos era “vamos lá. Estamos com vocês”. Era algo muito mais de apoio, de saber que tinha alguém dizendo que eles podem, do que comprar materiais.

Quando os alunos foram perguntados sobre a importância de se ter impressoras 3D e cortadoras a laser, uma aluna respondeu “Se tivéssemos esses maquinas, com certeza ajudaria muito. Mas isso não substitui e não é mais importante que nossa professora. Sem o apoio dela, o projeto não seria possível. Sem a máquina, nós improvisamos”.

Nossas Considerações:

O que ficou de lição para nós foi que a inovação na Educação passa por investimentos e equipamentos, mudanças/transformações de ambientes, mas o mais importante, ainda é o MATERIAL HUMANO. Nós como educadores precisamos compreender que o processo de construção do conhecimento tem como agente principal, o aluno. Por isso, a importância de sua participação ativa em todas as etapas – desde a escolha de um projeto.

Não adianta transformar o ambiente, gastar muito dinheiro com máquinas caras, se não houver uma transformação nos educadores.

Para os educadores que se interessarem em saber mais sobre essas inovações na Educação, deixamos aqui uma sugestão de pesquisa: Uma metodologia pautada na resolução de problemas e no desenvolvimento de projetos na área STEM e um trabalho orientado pelo conceito de Aprendizagem Criativa, proporcionando atividades que propiciem os 4 P´s (MIT Media LB) – temos desenvolvido projetos orientados por essas metodologias e observamos mudanças significativas na relação dos estudantes com o conhecimento e na relação professor-aluno.

Nos próximos posts falaremos sobre Robótica de baixo custo (do lixo ao luxo) e Inovação na Educação, falando sobre currículo, ambiente e metodologias – e como um Maker Space simboliza tudo isso.

 

Rui Zanchetta


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